A vitamina D, também conhecida como a “vitamina do sol”, é essencial para manter os ossos e dentes saudáveis, através da absorção de cálcio e fósforo; é necessária para uma boa função muscular, reduzindo o risco de quedas, sobretudo nas pessoas mais velhas; sendo também imprescindível no reforço do nosso sistema imunitário, protegendo-nos contra doenças autoimunes, cardiovasculares, infeciosas e oncológicas.
A vitamina D é produzida na nossa pele com a exposição solar. Contudo, nos meses de inverno – devido aos dias serem mais curtos, passarmos menos tempo ao ar livre e com mais roupa a cobrir o corpo – é comum haver uma redução desta vitamina e, em algumas pessoas, pode haver um défice maior.
Explicamos-lhe mais sobre esta vitamina, possíveis sintomas e causas de défice, assim como o que fazer para manter níveis adequados, com acompanhamento clínico.
O que é a Vitamina D? E quais os diferentes tipos?
A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel (solúvel em gordura) com um papel semelhante ao de uma hormona. As duas formas mais relevantes são:
- Vitamina D2 (ergocalciferol) - obtida sobretudo a partir de fontes vegetais e alguns alimentos fortificados.
- Vitamina D3 (colecalciferol) - produzida na pele com exposição solar e presente em alguns alimentos de origem animal, é também a forma mais comum em suplementos.
Sintomas de défice de Vitamina D
O défice pode ser silencioso durante algum tempo, mas quando se manifesta, pode incluir:
- Cansaço e sensação de menor energia;
- Dores ósseas e desconforto geral;
- Fraqueza muscular, perdas de força e maior tendência para quedas.
Em situações mais severas:
- Nas crianças: pode causar raquitismo, com alterações do crescimento e mineralização óssea.
- Nos adultos: pode levar a osteomalacia, ou seja, ossos “moles”, com dor e fraqueza.
No entanto, sublinhamos que estes sinais, por si só, não confirmam a falta desta vitamina, é fundamental haver uma avaliação clínica.
Causas de carência de Vitamina D
As causas mais frequentes combinam fatores ambientais, hábitos e condições clínicas, como:
- Baixa exposição solar no inverno;
- Pele mais escura – produz menos vitamina D;
- Idade – a capacidade de produção diminui com os anos;
- Excesso de peso/obesidade;
- Má absorção intestinal – por exemplo devido à doença celíaca ou à doença inflamatória intestinal;
- Doença renal ou hepática;
- Alguns medicamentos, como anticonvulsivantes, antirretrovirais e glucocorticoides.
Como melhorar os níveis de vitamina D nos meses de inverno
A estratégia ideal depende do risco individual, mas, em termos práticos, costuma passar por três pilares:
1) Exposição solar com precaução
Sair ao exterior de forma regular ajuda, mas deve ser sempre equilibrado com a proteção da pele.
2) Alimentação
Alguns alimentos que podem contribuir incluem peixes gordos (como atum, sardinha e salmão), gema de ovo e alimentos fortificados.
3) Suplementação quando faz sentido e de forma orientada
Em Portugal, habitualmente, a toma de suplementos está indicada apenas para doentes de alto risco (com osteoporose, má absorção intestinal, doença renal, entre outros).
E um alerta importante: a suplementação em doses inadequadas pode causar efeitos adversos.
Para quem é recomendado fazer suplementação?
De forma geral, a toma de suplementos é mais frequentemente indicada em:
- Bebés no primeiro ano de vida – em Portugal recomenda-se suplementação diária, com uma dose definida.
- Pessoas com baixa exposição solar crónica – por exemplo pessoas institucionalizadas, ou com mobilidade reduzida.
- Pessoas com má absorção, doença renal crónica, obesidade, osteoporose ou outras situações clínicas em que o médico pretende intervir e monitorizar.
A decisão deve ser sempre individualizada considerando: idade, comorbilidades, medicamentos, resultados e objetivos clínicos.
Quem deve fazer análises para avaliar os níveis de vitamina D?
Em Portugal, por norma não é recomendado que pessoas saudáveis façam análises para averiguar se têm défice de vitamina D, uma vez que esta é facilmente reposta através da ingestão de alimentos ricos em vitamina D e da correta exposição solar.
Para quem tem indicação, habitualmente realiza-se uma análise específica ao sangue (25-hidroxivitamina D ou 25(OH)D).
O doseamento tende a ser mais proveitoso quando há:
- Sintomas compatíveis, por exemplo dor óssea e fraqueza muscular, ou suspeita clínica fundamentada.
- Alto risco: osteoporose/fraturas, doença renal crónica, má absorção, obesidade, baixa exposição solar, entre outros contextos.
- Necessidade de definir um plano de suplementação e/ou monitorizar a resposta em situações específicas.
Quando procurar apoio clínico no Grupo HPA Saúde?
Se tem fatores de risco, sintomas persistentes ou dúvidas sobre a suplementação, uma avaliação médica ajuda a decidir:
- Se faz sentido pedir análises ou outros marcadores;
- Se há necessidade de suplementar e com que esquema;
- Como integrar alimentação, exposição solar e acompanhamento clínico de forma segura.
Fale com o seu médico e informe-se sobre o seu caso.
14 de Janeiro de 2026








